Entrevista com Especialista
- Lívia Almeida Machado
- 27 de nov. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 1 de dez. de 2020
Olá, meu nome é Lívia Almeida Machado, sou estudante de Ciências Biológicas, no Centro Universitário Jorge Amado (UNIJORGE).
Onde como representante da equipe, realizei uma entrevista com seis perguntas, sobre seus trabalhos realizados e experiência com os Manguezais, do estado da Bahia.
Para a Dr. Léa Maria Lopes Ferreira, graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Católica de Salvador, com especialização em Gestão Ambiental pela Universidade Católica do Salvador, mestrado em Biologia (Botânica) pela Universidade Federal da Bahia, doutorado em Medicina e Saúde Humana, pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.
(Fonte da foto: Arquivo Pessoal, disponibilizado por Léa Maria Ferreira ©)
1. A quanto tempo a senhora trabalha com os Manguezais?
Léa Maria Ferreira: Tem 20 anos! Iniciei auxiliando estudos de tese de doutorado, fui convidada a trabalhar com monitoramento em áreas impactadas e com isso me apaixonei pelo manguezal e foi o tema da minha dissertação de mestrado.
2. Quais foram seus principais trabalhos nesse ecossistema?
Léa Maria Ferreira: Impactos antropológicos por efeitos industriais aos manguezais da Baia de Aratu e monitoramento manguezais sob influência de indústrias em territórios do estado da Bahia. E a minha dissertação que avaliei áreas de manguezal da Baia de Aratu com ênfase em ações antrópicas.
3. Qual a importância dos Manguezais?
Léa Maria Ferreira: O manguezal possui uma importância desde o processo de reprodução da biota aquática, como área de alimentação de pássaros e meio de subsistência para o ser humano. Observe que existe uma área de flora que circunda os manguezais e essa distribuição é de grande importância, pois as raízes das espécies obrigatórias formam um emaranhado que auxiliam a estabilização da linha da costa. Cito também a dinâmica da troca de sedimentos da maré e do rio com o ciclo da vegetação que contribuem para alimentação da cadeia alimentar daquela fauna específica ali existente. A área calma estuarina contribui muito com a desova dos peixes, daí chamado de berçário para o desenvolvimento das larvas.
4. Quais tipos de poluição/degradação, a senhora já pode presenciar em seus trabalhos?
Léa Maria Ferreira: Desmatamento para utilização da madeira, depósito de lixo devido a cultura de não entender a importância dos manguezais, ou seja, a função do manguezal, utilização das áreas para implantação de rede hoteleira e Resort, além de despejos industriais não devidamente tratados e acúmulo de metais pesados.
5. Qual é a sua opinião sobre a nova Resolução do CONAMA ?
Léa Maria Ferreira: São consideradas Áreas de Preservação Permanente os manguezais, os apicuns e as restingas.
Os manguezais são considerados Áreas de Preservação Permanente logo deve ter um acompanhamento rígido, logo essa alteração recente do atual governo, 2020, foi FELIZMENTE revogada.
Conforme abaixo:
Art. 3º Para os efeitos desta Lei, entende-se por:
II - Área de Preservação Permanente - APP: área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas;
IX - Interesse social:
a) as atividades imprescindíveis à proteção da integridade da vegetação nativa, tais como prevenção, combate e controle do fogo, controle da erosão, erradicação de invasoras e proteção de plantios com espécies nativas;
Diante da Lei, acima citada, foi emergencial a revogação da resolução 500/20 defendida pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) pelo atual ministro do meio ambiente Salles que caso fosse aprovada iria contribuir para aumentar os impactos nos manguezais. Fonte: Agência Câmara de Notícias, 2020. (https://www.camara.leg.br/noticias/696347-proposta-susta-resolucao-do-conama-que-revogou-protecao-a-manguezais-e-restingas)
Mesmo revogada essa resolução 500/20 os manguezais, mesmo sendo APPs , não estão sendo monitorados, não por falta de legislação, mas por falta de fiscalização.
6. Nos seus trabalhos já realizados, a senhora chegou a utilizar o Mapbiomas? Se sim, em quais aspectos foram úteis?
Léa Maria Ferreira: Não. Geralmente utilizo os mapas dos órgãos institucionais estaduais.
(Fonte da foto: Arquivo Pessoal, disponibilizado por Léa Maria Ferreira ©)
"Agradecemos imensamente a essa profissional incrível e admirável, que tivemos a honra de sermos alunos e de entrevistarmos, obrigada pela disponibilidade em poder compartilhar conosco, um pouco da sua experiência profissional e de vida, em nosso projeto."
Lívia A. Machado





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